Histórico

Arquivo Feira da Música, edição de 2012

A Feira da Música foi criada com o objetivo de agregar e fortalecer os atores da cadeia produtiva da música no Brasil, dinamizando negócios na área da economia criativa e propondo uma gestão pautada em estratégias nacionais de escoamento da produção.

Em sua primeira edição, no ano de 2002, a Feira abrangia uma área total de 5.000 m² de ocupação de espaço físico, com participação expressiva e se inserindo no calendário cultural do estado do Ceará. Nela, já contávamos com um grande número de atividades, como shows, painéis, exposições e conferências. No ano seguinte, o evento aumentou suas proporções e chegou a uma área total de 8.000 m², realizando 175 atividades – entre shows, palestras, encontros, oficinas, lançamentos de CDs e livros – além de ter a participação de agentes de oito estados do Nordeste envolvidos na programação.

A cada nova edição, o evento cresceu. Parte das oficinas e dos workshops se transformou em rodadas de negócios, momentos em que os participantes podiam trocar experiências, fazer contatos para viabilizar oportunidades além da Feira e divulgar seus trabalhos de forma mais ampla.

Em 2005, a Feira da Música contou com a participação de 11 estados, trazendo participantes do Sudeste do País e alcançando um patamar de abrangência nacional. No ano seguinte, o evento realizou 87 shows, mostrando a variedade de estilos musicais no Brasil.

em 2007, comprovando que o evento promove espaço para a troca de informações e difusão das atividades além do cenário musical no Brasil, a Feira começou a investir em abrangência internacional e contou com a participação de agentes de países como a Argentina e a Itália.

Ao longo de suas realizações, a Feira assume um caráter associativo. E promove o diálogo entre associações musicais – como a Abrafin, a ABMI e a BM&A – culturais e comunitárias; proporcionando trocas entre instituições, produtores, artistas e gestores culturais. Trocas que foram possibilitadas através de painéis, oficinas, consultorias, encontros com debates e relatos de experiências inseridos na frente de programação do Encontro Internacional da Música.

Já a Rodada de Negócios – consolidada na frente de programação da Feira de Negócios – amadurece e promove a negociação entre músicos independentes, produtores musicais e culturais, gravadoras, organizadores de festivais, colocando frente a frente quem quer comprar e quem quer vender. Ambas as articulações (do Encontro Internacional e da Rodada) na edição de 2008 já eram reconhecidas de forma evidente como frentes de realização da Feira da Música, contando inclusive com uma cobertura midiática consciente da amplitude do evento (além do foco na exibição de shows).

Algo que ficou mais claro ainda a partir do momento em que a Feira passa a ser um espaço de encontro entre mercados locais e internacionais da música.

Em 2009, teve público aproximado de 40 mil pessoas entre convidados e visitantes, participação de 68 bandas de 19 estados brasileiros, reunindo 450 artistas e seis palcos com shows gratuitos e espalhados pela cidade.

Além da dimensão quantitativa, a Feira deste ano foi sede de um encontro importante para a fundação da Rede Música Brasil (RMB) e implantou a moeda complementar “Patativa” na recepção dos convidados – sinalizando com a forte tendência de se trabalhar a cadeia produtiva da música à base da economia solidária.

Em 2010, a Feira da Música sinalizou para novos focos de atuação, intensificando o olhar para o Nordeste e ampliando o olhar para a América Latina. Ambas as visões com uma perspectiva de articulações para a integração do mercado da música a nível regional e continental, respectivamente. Este olhar se materializou através das discussões realizadas com convidados de países da América do Sul, da América Central e dos outros estados do Nordeste (este com foco na realização do Congresso Fora do Eixo Nordeste).

Foi a primeira edição que reuniu todas as principais frentes de programação da Feira (Mostra de Música Independente, Encontro Internacional da Música e Feira de Negócios) no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. A concentração facilitou o encontro entre as pessoas e proporcionou que o visitante tivesse uma oportunidade de experiência diversa com a Feira, já que aproximou shows, debates e negócios em um mesmo lugar.

Em 2011, a Feira firmou-se como um importante ambiente de formação, e abriu-se mais ainda para a construção coletiva, trazendo agentes da rede Fora do Eixo de todo o Brasil para integrar a equipe de produção nas diversas frentes, através dos programas de formação livre “Intercâmbio dos Saberes”. Além destes, 30 agentes de Fortaleza e do interior do estado, também estiveram na produção do evento, por meio do “Laboratório Entre Pontos”.

O tema “Ser musica. Viver musica.” foi muito bem explorado, trazendo a importância do papel do ser político, o ser econômico e o ser músico dentro do festival, na campanha marcou seus dez anos de realização, a chamada “Feira 10”. 

Já em 2012, o conceito trazido para o evento foi “Feira Livre”, o que acarretou em uma identidade visual mista. Em parceira com o Coletivo Monstra, foram produzidos 44 cartazes, caracterizando cada um dos artistas que se apresentou, além de diversos elementos criados especialmente para o festival, em uma campanha múltipla e diversificada.

O Encontro Internacional da Música foi marcado pelo Lançamento do ano letivo da Universidade Livre Fora do Eixo, sediando grandes reuniões do movimento social das cultuas, com convidados de todo o Brasil e de fora do país. A Ocupação artística do Estoril foi um dos destaques desta edição, o espaço foi sede de prévias durante um mês antes do evento, além de abrigar todos os dias parte das atividades do Encontro e jam sessions todas as noites. A programação musical ganhou mais um palco, um espaço específico para o público regueiro, no Reggae Clube. 

Em 2013, a Feira a Feira promoveu como um dos seus focos o intercâmbio e as conexões de conhecimentos sobre arte, redes, cultura e formações politicas. De 21 a 24 de agosto do mesmo ano o evento teve como local principal o Centro Dragão do Mar recebendo nosso maior palco da música independente brasileira, outro palco foi instalado no Estoril recebendo debates sobre o cenário político-cultural, reunindo performances, formação e negócios.

Uma das novidades foi a presença de projetos diversos ligados à música e às artes integradas, como o espetáculo de dança e concerto musical Cello Dance. O lançamento do livro Um Bom Lugar – Sabotage, seguido de show em homenageou os 10 anos de morte do rapper paulistano, será outro destaque do evento.

Já no ano seguinte em 2014, a Feira da Música 2014 teve seu lançamento no Dragão do Mar, no dia 20 de setembro, mas a realização ocorreu entre os dias 8 a 11 de outubro. Com foco na formação, foram realizadas diversas atividades voltadas à técnica em áudio e iluminação, entre workshops e certificações, além de apresentações e exposições de equipamentos de marcas nacionais conceituadas, lançamento de publicação, shows nacionais e internacionais e premiação aos profissionais que se destacaram no segmento de artes e entretenimento, no estado do Ceará no ano de 2013. Neste mesmo ano, trouxemos cinco atrações, entre grupos nacionais e internacionais.

As apresentações aconteceram na Praça Almirante Saldanha, gratuitamente. Fizeram parte da programação os grupos: Bass Drum of Death (Eua) e Mushi Mushi Orquesta (Uruguai), Orquestra Retratos do Nordeste (Pernambuco) e Orquestra de Tambores de Alagoas (Alagoas), além das bandas Relatos de Fortaleza – RFF e Glauco King & The West Wolves. Envolvendo cerca de 4.997 músicos, em 798 shows, recebeu 289 painéis/oficinas e reuniu 746 expositores.

Em 2015, um dos nossos focos foi fomentar o mercado da arte em Fortaleza difundido de forma direta e merecidamente.

Uma importante decisão foi de colocá-la à serviço da reabilitação do Centro de Fortaleza, com palcos erguidos Praça dos Leões (General Tibúrcio) e Praça do Ferreira, além de integração com Passeio Público, Museu da Indústria, Teatro Carlos Câmara, Theatro José de Alencar e CREA. Uma das ações importantes nesta edição foi o primeiro Viradão com a Mostra de Música Independente acontecendo em três palcos ao mesmo tempo.

Já em 2016, ao longo de 15 anos consecutivos, a Feira da Música quebrou diversos preconceitos, criou e incentivou centenas de artistas e produtores em toda a América Latina, movimentando o cenário musical, principalmente da produção independente. Nada mais justo que no lançamento tivéssemos como atração de lançamento uma das bandas que na época também estava quebrando esteriótipos e levando além da música em sua raiz a diversidade como base, foi assim que a banda Liniker e os Caramelows se apresentaram no palco do Cineteatro São Luiz.

Com o charme e a rebeldia desses 15 anos, a plenitude dos sonhos despertos, o dinamismo e a vontade de brincar mais vivos do que nunca envolveram esta edição. Comemorar aniversário é tradição, motivo de reunir os mais queridos, reviver os anos passados e brindar pelo presente, celebrar os encontros da vida e deixar se surpreender.

Em 2017, o festival se reconecta com suas raízes, destacando as bandas locais. Dentre os grupos selecionados estavam presentes Casa Maré, New Model, e Projeto Rivera.

“Temos agora uma cena reconhecida e conectada. Precisamos aproveitar os frutos do trabalho e rentabilizar, valorizar e criar oportunidades, ajudando novos artistas a alcançarem seu potencial”, afirma o idealizador da Feira, Ivan Ferraro. A Feira da Música ocorreu no Teatro Carlos Câmara, Cineteatro São Luiz, Centro Cultural Dragão do Mar e Theatro José de Alencar.

Já na edição de 2019, a programação foi toda inspirada pela diversidade e pluralidade com participações musicais e apresentadas como Campo de Força, tem foco nas mulheres, na negritude e nas periferias. Enquanto sua programação de negócios e conhecimento sinalizam uma conexão entre agentes do hackerismo e do universo da música, o lado difusor da Feira está trazendo o feminino, os feminismos e suas mais amplas e múltiplas perspectivas como referência principal, além da juventude negra, das periferias e dos grupos que seguem a margem.