A FEIRA

Em 2019, a Feira foi hackeada e formatada com ousadia e sensibilidade, encarando de frente a perspectiva digital. 

Em sua 18ª edição, um formato inteiramente novo foi lançado, buscando instigar o cenário da música avançando para o ciberespaço. Faz parte do código-fonte da Feira a reinvenção, a resistência. Seus já conhecidos eixos de Difusão, Negócios e Conhecimento foram ajustados nesta perspectiva digital e a Feira acabou por se tornar mais atual do que nunca. 

A tecnologia torna-se aliada, uma verdadeira ferramenta de transformação social, e o fator humano segue como o diferencial para repensar o cenário da música de forma diversa, democrática e acessível em busca de soluções e oportunidades através da sua Zona de Propulsão, seus Campos de Forças e suas Interfaces de Conversação. 

Em 2020, o mundo foi hackeado pela própria natureza e a Feira, já afinada com digital, avança livre por esse novo mundo possível. 

Histórico

A Feira da Música foi criada com o objetivo de agregar e fortalecer os atores da cadeia produtiva da música no Brasil, dinamizando negócios na área da economia criativa e propondo uma gestão pautada em estratégias nacionais de escoamento da produção.

Em sua primeira edição, no ano de 2002, a Feira abrangia uma área total de 5.000 m² de ocupação de espaço físico, com participação expressiva e se inserindo no calendário cultural do estado do Ceará. Nela, já contávamos com um grande número de atividades, como shows, painéis, exposições e conferências. No ano seguinte, o evento aumentou suas proporções e chegou a uma área total de 8.000 m², realizando 175 atividades – entre shows, palestras, encontros, oficinas, lançamentos de CDs e livros – além de ter a participação de agentes de oito estados do Nordeste envolvidos na programação.

A cada nova edição, o evento cresceu. Parte das oficinas e dos workshops se transformou em rodadas de negócios, momentos em que os participantes podiam trocar experiências, fazer contatos para viabilizar oportunidades além da Feira e divulgar seus trabalhos de forma mais ampla.

Em 2005, a Feira da Música contou com a participação de 11 estados, trazendo participantes do Sudeste do País e alcançando um patamar de abrangência nacional. No ano seguinte, o evento realizou 87 shows, mostrando a variedade de estilos musicais no Brasil. Já em 2007, comprovando que o evento promove espaço para a troca de informações e difusão das atividades além do cenário musical no Brasil, a Feira começou a investir em abrangência internacional e contou com a participação de agentes de países como a Argentina e a Itália.

Ao longo de suas realizações, a Feira assume um caráter associativo. E promove o diálogo entre associações musicais – como a Abrafin, a ABMI e a BM&A – culturais e comunitárias; proporcionando trocas entre instituições, produtores, artistas e gestores culturais. Trocas que foram possibilitadas através de painéis, oficinas, consultorias, encontros com debates e relatos de experiências inseridos na frente de programação do Encontro Internacional da Música.

Já a Rodada de Negócios – consolidada na frente de programação da Feira de Negócios – amadurece e promove a negociação entre músicos independentes, produtores musicais e culturais, gravadoras, organizadores de festivais, colocando frente a frente quem quer comprar e quem quer vender. Ambas as articulações (do Encontro Internacional e da Rodada) na edição de 2008 já eram reconhecidas de forma evidente como frentes de realização da Feira da Música, contando inclusive com uma cobertura midiática consciente da amplitude do evento (além do foco na exibição de shows). Algo que ficou mais claro ainda a partir do momento em que a Feira passa a ser um espaço de encontro entre mercados locais e internacionais da música.

Em 2009, teve público aproximado de 40 mil pessoas entre convidados e visitantes, participação de 68 bandas de 19 estados brasileiros, reunindo 450 artistas e seis palcos com shows gratuitos e espalhados pela cidade. Além da dimensão quantitativa, a Feira deste ano foi sede de um encontro importante para a fundação da Rede Música Brasil (RMB) e implantou a moeda complementar “Patativa” na recepção dos convidados – sinalizando com a forte tendência de se trabalhar a cadeia produtiva da música à base da economia solidária.

Em 2010, a Feira da Música sinalizou para novos focos de atuação, intensificando o olhar para o Nordeste e ampliando o olhar para a América Latina. Ambas as visões com uma perspectiva de articulações para a integração do mercado da música a nível regional e continental, respectivamente. Este olhar se materializou através das discussões realizadas com convidados de países da América do Sul, da América Central e dos outros estados do Nordeste (este com foco na realização do Congresso Fora do Eixo Nordeste).

Foi a primeira edição que reuniu todas as principais frentes de programação da Feira (Mostra de Música Independente, Encontro Internacional da Música e Feira de Negócios) no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. A concentração facilitou o encontro entre as pessoas e proporcionou que o visitante tivesse uma oportunidade de experiência diversa com a Feira, já que aproximou shows, debates e negócios em um mesmo lugar.

Em 2011, a Feira firmou-se como um importante ambiente de formação, e abriu-se mais ainda para a construção coletiva, trazendo agentes da rede Fora do Eixo de todo o Brasil para integrar a equipe de produção nas diversas frentes, atravéZ dos programas de formação livre “Intercâmbio dos Saberes”. Além destes, 30 agentes de Fortaleza e do interior do estado, também estiveram na produção do evento, por meio do “Laboratório EntrePontos”. O tema “Ser musica. Viver musica.” foi muito bem explorado, trazendo a importância do papel do ser político, o ser econômico e o ser músico dentro do festival, na campanha marcou seus dez anos de realização, a chamada “Feira 10”. 

Já em 2012, o conceito trazido para o evento foi “Feira Livre”, o que acarretou em uma identidade visual mista. Em parceira com o Coletivo Monstra, foram produzidos 44 cartazes, caracterizando cada um dos artistas que se apresentou, além de diversos elementos criados especialmente para o festival, em uma campanha múltipla e diversificada. O Encontro Internacional da Música foi marcado pelo Lançamento do ano letivo da Universidade Livre Fora do Eixo, sediando grandes reuniões do movimento social das cultuas, com convidados de todo o Brasil e de fora do país. A Ocupação artística do Estoril foi um dos destaques desta edição, o espaço foi sede de prévias durante um mês antes do evento, além de abrigar todos os dias parte das atividades do Encontro e jam sessions todas as noites. A programação musical ganhou mais um palco, um espaço específico para o público regueiro, no Reggae Clube. 

– Realização 

A Feira da Música é realizada pela Prodisc – Associação dos Produtores de Cultura do Ceará e Casa Fora do eixo Nordeste -,  sendo composta por empresários e agentes do setor cultural e tendo entre as atribuições a realização de atividades para o desenvolvimento de negócios do setor.

A Feira da Música é a principal ação da Prodisc, que atualmente promove a formação profissional e técnica para jovens através de cursos práticos e oficinas. Em todo o histórico de realização da Feira, dezenas de profissionais produtores culturais foram formados. Atualmente a Prodisc assumiu o papel de Ponto de Cultura, disponibilizando uma série de atividades de formação técnica e profissional para jovens. Além disso, os profissionais atuantes no mercado são auxiliados pelos fóruns de discussão na Conferência Internacional da Música que abrem a possibilidade de informar e contribuir para a formação de melhores quadros de profissionais do setor.

A Prodisc nasceu da vontade de um grupo de empresários de incrementar os negócios no setor da música. Sua origem remonta ao Pacto de Cooperação, um movimento de livre articulação da sociedade cearense para discussão de problemas e soluções nas diversas áreas de atuação social, profissional e econômica, com mais de vinte anos de história. Além de associar as empresas do setor visando o incremento do mercado, a Prodisc teve o mérito de organizar a primeira Feira de Negócios do setor para pequenas empresas atuantes no mercado independente da música. A Feira, que teve início em 2002, tornou-se referência para a reorganização do setor no Brasil quando o modelo de negócios de música entrou em crise em todo o mundo.

Atualmente a Feira da Música inspira a realização de eventos em todo o país e se tornou referência para negócios da música, além de ser reconhecida como um importante espaço para a discussão de novos modelos e formatos de organização do setor, reunindo toda a cadeia produtiva. A Prodisc realiza atividades em todo o Estado do Ceará em parceria com órgãos públicos e privados, além de integrar associações nacionais de entidades empresariais do setor da música, participando diretamente de fóruns de discussão e definição de atividades e políticas públicas para o desenvolvimento do setor.